No recinto ecoam vozes,
brinquedos viram batalhas.
A coordenadora pede papéis,
a professora sustenta muralhas.
Crianças puxam sua roupa,
querem atenção sem medida.
Ela recolhe os cacos do chão,
segura o caos da vida.
A professora vai ao banheiro,
busca um minuto de calma.
Mas da cabine escuta brigas,
o medo invade sua alma.
Conta e reconta os números,
choros que não se desfazem.
Chama a roda, abre espaço,
histórias que todos abraçam.
Pedro desenha com alma,
traços que falam de si.
Rebeca ri sem pensar,
e o amigo se desfaz ali.
O choro invade a manhã,
o papel guarda a dor.
No abraço da professora,
a arte floresce em amor.
A refeição é tumulto constante,
o descanso é resistência.
Um cafuné, uma canção,
traz ao corpo paciência.
Ao fim do turno com a turma
ela mal consegue falar.
Está em pedaços, tão cansada,
de tantas demandas realizar.
Agora seria tempo de pausa,
mas o descanso não se instala.
O trabalho segue invisível,
fora dos muros da sala.
Professora, coluna invisível,
do mundo que nunca descansa.
Todos veem sua presença,
mas poucos percebem sua esperança.
