Com a tendência de envelhecimento da população brasileira e as mudanças nas dinâmicas familiares, residenciais têm assumido um papel cada vez mais amplo quando o assunto é cuidar de idosos e idosas. Nesta série sobre acolhimento à pessoa idosa em Rio Preto, a Bem-Estar traz o trabalho do Residencial Boa Vida como uma das instituições privadas que atuam na cidade com assistência diária, convivência, autonomia e fortalecimento de vínculos na maturidade.
Se antes os residenciais de longa permanência eram associados apenas à assistência básica, hoje, segundo a enfermeira e uma das responsáveis pelo Residencial Boa Vida, Ludmila Lara de Moraes Garcia, o objetivo é unir assistência técnica e atenção individualizada. “Significa oferecer muito mais do que assistência diária. É proporcionar cuidado humanizado, respeito à individualidade, segurança, conforto e qualidade de vida”, destaca.
Diferentemente das instituições filantrópicas, as quais recebem pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social, na iniciativa privada o acolhimento é pago e aberto para qualquer família que busque acolhimento. Trabalho que, na leitura de Ludmila Lara, deve unir excelência técnica e atenção afetiva. “Para garantir que cada residente seja tratado com dignidade, autonomia, carinho e como parte de uma grande família”, afirma.
Adaptação
Entre tantos receios da família, a retirada da pessoa idosa do núcleo familiar e a necessidade de adaptação dentro da instituição de acolhimento é um dos pontos que, segundo Ludmila Lara, deve ser conduzido com cautela e de forma gradual. “Antes da entrada, a equipe realiza uma avaliação física, emocional e social, além de conversas com familiares para entender hábitos e preferências do idoso”, explica. Nos primeiros dias, segundo a responsável, o idoso é acompanhado de perto. “Incentivando a participação nas atividades e criando vínculos afetivos para que o novo residente se sinta seguro, acolhido e confortável”, conta.
Já adaptado na instituição dentro da proposta de cuidado integral, o atendimento à pessoa idosa no dia a dia envolve atividades recreativas, convivência social e estímulos cognitivos. A intenção, segundo Ludmila Lara, é reduzir impactos emocionais frequentemente associados ao envelhecimento. “O acolhimento afetivo ajuda a combater sentimentos como solidão, tristeza e isolamento, contribuindo diretamente para o bem-estar emocional e para uma melhor qualidade de vida”, explica.
Laços familiares
A relação com as famílias é uma parte central do processo. Segundo Ludmila Lara, a família tem um papel fundamental no processo de acolhimento à pessoa idosa. “Mantemos uma relação próxima, transparente e participativa, incentivando visitas, comunicação constante e envolvimento nas decisões relacionadas ao cuidado do idoso”, detalha. Segundo a responsável, o residencial, independentemente da instituição, não substitui o amor familiar. “Complementa os cuidados necessários, oferecendo suporte especializado e segurança”, ressalta.
Suporte que é oferecido dentro das diretrizes da Saúde e realizado por equipe multidisciplinar composta por enfermeiros, cuidadores, técnicos de enfermagem, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo e equipe de apoio. “A qualificação faz diferença porque permite identificar necessidades específicas, prevenir complicações e oferecer um cuidado seguro, ético e individualizado”, ressalta Ludmila Lara.
O respeito à história de vida também é um dos pilares do acolhimento à pessoa idosa. “Cada residente possui uma trajetória única, e isso é valorizado no dia a dia quando procuramos conhecer hábitos, gostos, crenças e preferências, respeitando a autonomia sempre que possível”, reforça a responsável. A proposta, segundo ela, é preservar ao máximo a autonomia. “Permitindo que o idoso mantenha sua identidade, suas escolhas e participe ativamente da própria rotina”, complementa.
Construção de sentimento de pertencimento também é um ponto chave do acolhimento, segundo Ludmila Lara. “Pequenos detalhes fazem diferença: ser chamado pelo nome, participar das decisões, manter objetos pessoais próximos, criar vínculos com profissionais e outros residentes, além de participar de atividades que tragam alegria e significado para sua rotina”, detalha.
Para a enfermeira, um dos maiores desafios do trabalho de acolhimento hoje é enfrentar ainda o estigma relacionado aos residenciais. “Existe a ideia de que o residencial representa abandono familiar”, afirma Ludmila Lara. No entanto, no cuidado humanizado há dedicação. “O cuidado humanizado exige sensibilidade, empatia, capacitação contínua da equipe e dedicação diária”, reforça.
