Em tempos em que o envelhecimento da população brasileira impõe novos desafios sociais, o Lar São Vicente de Paulo, em Rio Preto, celebra 90 anos neste ano como um lugar de acolhimento e cuidado com a pessoa idosa. A instituição filantrópica, em parceria com a Prefeitura, tem capacidade para atender 50 idosos em regime de moradia e outros 38 pelo Centro Dia – acolhimento conhecido como “creche do idoso”.
O gestor administrativo da instituição, Paulo Sérgio Esteve Dias, conta que a maior parte dos acolhidos e acolhidas, entre 62 e 95 anos, é de pessoas que precisam de muita ou total atenção. “A maior parte são de semi ou dependentes e aqui cuidamos deles até o último suspiro”, afirmou. Muito além de um abrigo, o espaço funciona como uma rede de proteção com equipes de assistência social, de saúde, cuidadoras e limpeza que acompanham 24 horas a rotina dos acolhidos.
Em meio aos desafios do envelhecimento em situação de vulnerabilidade social, o Lar se mantém como um dos quatro serviços do município com acolhimento gratuito, sustentado pela solidariedade, pelo trabalho de profissionais dedicados e pelo compromisso com a dignidade da vida. O aniversário do Lar abre, portanto, a série da Bem-Estar para mostrar o trabalho de acolhimento à pessoa idosa em Rio Preto.
História
O Lar São Vicente de Paulo de Rio Preto foi fundado em 11 de março de 1936 como uma associação civil de direito privado, beneficente, sem fins lucrativos e com a missão de acolher idosos, sem distinção de raça, cor, opção partidária e religiosa. Da década de 30 para 2026, surgiram novas normatizações com a Política Pública de Assistência Social (SUAS), os Conselhos de Assistência Social e do Idoso, o Estatuto do Idoso e as mudanças foram aprimorando os serviços de assistência à pessoa idosa. Hoje, o Lar é presidido por Pércio Neves e conta com apoio de uma equipe multidisciplinar para oferecer os serviços.
Acolhimento
O acolhimento no Lar é feito em um amplo espaço dividido por alas com assistência e cuidados de acordo com a necessidade de cada grupo, com divisões entre feminino e masculino, para garantir dignidade e atendimento igualitário. Os diversos espaços de convivência, como a Sala de Marilac, são abertos e são pontos de encontro. “Toda segunda-feira temos uma reunião para pontuações, colocações, observações e acolhimento das necessidades de cada um e cada uma”, conta Paulo.
Espaços de interação, como o núcleo de atendimento ao idoso Irmãs da Providência de Gap, também contam com gincana, oficinas, competições de música, conhecimentos gerais e outras atividades que mantêm idosos ativos. “Temos a convicção do nosso trabalho e eles na total liberdade”, afirmou o gestor. Espaços de fé também estão pelo Lar, como a capela do jardim e a capela dentro do prédio. “Todas as quintas-feiras temos nossas missas para quem quiser participar”, explica Paulo.
Com assistentes sociais, psicólogas, nutricionistas, cuidadoras e uma série de profissionais que deixam o lar limpo, cheiroso, com roupas limpas e passadas e todas as refeições preparadas de acordo com cada necessidade, o Lar serve 14 mil refeições por mês e lava e seca cerca de 14 toneladas de roupas de cama, de banho e vestuário de acolhidos. Trabalho que Paulo afirmou ser feito com base na fé. “Literalmente, é uma obra do nosso Senhor Jesus. Ficamos muito agraciados de poder atender os idosos”, diz.
Centro Dia
O Lar também oferece o serviço chamado de Centro Dia ou ‘creche do idoso’. Em um espaço arejado de 800 metros, poltronas confortáveis, mesas com cadeiras e atividades recreativas, televisores, o Centro Dia Davi Baglioni acolhe idosos e idosas pela manhã até o final da tarde. O espaço, doado pela bancária Paulett Lages Durães, é uma homenagem ao sobrinho que faleceu aos 25 anos. “E a benfeitoria que Paulette doou ao Lar deu a oportunidade de fazer este espaço”, disse Paulo.
Emendas
O trabalho de acolhimento da pessoa idosa no Lar é filantrópico, com parceria com a Prefeitura, e é feito por meio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), parte do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) que atende, principalmente, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Toda porta de entrada é a porta da Assistência Social”, destaca Paulo.
O Município banca a assistência social e outros aportes, e o restante das despesas e investimentos são da Instituição. É neste ponto que entram ajudas importantes de destinações de verbas públicas: emendas impositivas da Câmara e emendas parlamentares. “As emendas são muito importantes”, registra Paulo. Entre os investimentos, aquisição de poltronas, secadoras, centrifugadores e outros.

