Antes mesmo das primeiras palavras, é no colo da mãe que começa a história de todos. No Dia das Mães, a data convida a olhar para esse vínculo que atravessa o tempo, feito de cuidado, presença e um amor que se revela, muitas vezes, nos gestos mais simples do cotidiano. A maternidade é também um processo contínuo de construção. Ela se transforma com o passar dos anos, acompanha mudanças sociais e revela diferentes formas de viver o papel de mãe, seja nos primeiros dias com um bebê, na criação dos filhos ou na experiência de se tornar avó.
Para a empresária Fátima de Paula Sotini, mãe de Viviani, Thays e Cíntia, a maternidade nunca seguiu regras prontas. Ao longo dos anos, foi na prática que ela construiu sua forma de cuidar e educar. “Me ensinou que não existe manual e que a gente precisa resolver o que dá no dia a dia. Me ensinou a ter resiliência e a entender que o amor é demonstrado nas atitudes: no prato de comida na mesa, na presença em pequenos detalhes. Educar dá trabalho, exige pulso e ser mãe é estar pronta para qualquer batalha.”
Hoje, ao ver as filhas assumindo o mesmo papel, Fátima enxerga um ciclo que se renova e que também traz reconhecimento. “É interessante vê-las crescendo no papel de mãe. Agora elas entendem o porquê de várias atitudes que tive e decisões que eu tomei. Sinto orgulho de ver que elas não se entregam fácil e que herdaram essa força de não se deixar abater pelas dificuldades. É bom ver que o exemplo de trabalho e pé no chão que eu dei deu frutos”, afirma a empresária.
A experiência da maternidade também ganha novos contornos com a chegada dos netos. Para Fátima, ser avó é viver o amor de forma mais leve. “É verdade, porque a gente já fez o trabalho pesado. Agora eu posso curtir a parte boa, sem ter que me preocupar tanto com a disciplina dos meus netos. Não é que seja melhor que ser avó, é que é mais leve. Eu continuo sendo a mesma pessoa, de olho na criação deles, na índole. Mas, com os netos, a gente se permite relevar muitas coisas porque sei que eles estão em boas mãos.”
Já a professora Andreia Escabin é mãe de dois jovens, Rassen, de 19 anos, e Tárik, 17 anos, e vive de perto os desafios e as descobertas dessa fase intensa, marcada por transformações, construção de identidade e busca por autonomia. Entre diálogos, limites e aprendizados diários, ela compartilha como é, na prática, acompanhar esse crescimento e como a maternidade também se reinventa ao longo do tempo.
Para ela, acompanhar o crescimento dos filhos na adolescência é como observar um processo em constante construção. “Eu percebo o crescimento por meio das colocações e falas deles, da capacidade de conectar conceitos que antes pareciam isolados. É como ver um quebra-cabeça sendo montado em tempo real”, conta.
Diante de tantas mudanças, Andreia entende que seu papel é oferecer estabilidade emocional. “Minha função é ser o suporte estável. Enquanto eles mudam e descobrem o mundo, eu ofereço um terreno seguro de informações, ajudando-os a traduzir sentimentos novos em palavras compreensíveis. Ver meus meninos atravessarem fases envolve observar momentos de frustração, empolgação e aquela luz que acende quando uma descoberta é feita.”
Quando o assunto são limites, diálogo e autonomia, a professora define a relação como um exercício constante de equilíbrio. “Passar pela relação com filhos hoje é um exercício diário de equilíbrio, quase como andar em uma montanha-russa, entre o controle e a liberdade. Com o Rassen e o Tarik crescendo e buscando seu espaço, os desafios deixam de ser físicos, como cuidados básicos, por exemplo, e passam a ser psicológicos e estratégicos”, explica.
Para Andreia, o diálogo vai além de orientar. “Ver que eles são capazes de decidir, mas nem sempre decidem o que eu acho 'certo'. Para mim, muitas vezes diálogo não é 'falar com o filho', na verdade é ouvir o filho, parar para observar o que ele quer e pensa, tarefa muitas vezes difícil, mas extremamente positiva.”
Ao olhar para a própria trajetória, Andreia reconhece o quanto a maternidade também é um processo de transformação pessoal. “No início, o meu papel de mãe era de proteção, escudo. Fazia tudo, decidia tudo e protegia de tudo. Na adolescência, percebo que meu papel não deixa de ser protetora, mas passa a ser muito mais de mentora. Agora amar é deixar falhar, deixar bater a cabeça, para crescer homens de bem e com responsabilidade.”
Ela resume essa evolução com uma imagem simbólica. “Vejo que agora meu papel de mãe é muito mais o de observar o que eles fazem sozinhos e não mais o que eu faço por eles. Agora me coloco muito mais como um farol; deixo ir, mas estou sempre ali para, se precisar voltar da tempestade, saber onde é o porto seguro. Ser mãe é mudar a versão todas as vezes que a fase deles também muda.”

