Há 16 anos, Rio Preto ganhava mais uma instituição de acolhimento à pessoa idosa na cidade: a casa de repouso Jardim do Lírio Residencial Sênior. O trabalho de cuidado a idosos e idosas vem ao encontro de uma demanda que, ano após ano, aumenta tanto em Rio Preto como no Brasil. O envelhecimento da população brasileira já é uma realidade e um desafio tanto para famílias e instituições como também para o poder público. No município, cidade reconhecida por ter uma população mais envelhecida que a média nacional, o debate sobre acolhimento e qualidade de vida ganha ainda mais relevância.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira com 60 anos ou mais já representa 15,6% do país, enquanto a parcela de pessoas com 65 anos ou mais chegou a 10,9% em 2022, evidenciando o acelerado processo de envelhecimento populacional. Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, Rio Preto possui cerca de 110,9 mil moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 23,1% da população. O percentual é significativamente superior à média nacional.
Fundado em 2010, o Jardim do Lírio Residencial Sênior acompanha de perto essa transformação da pirâmide etária. Para a proprietária Rosane Sangaleti, o acolhimento vai muito além da oferta de cuidados básicos à pessoa idosa. “Significa priorizar o indivíduo em sua totalidade, tratando cada pessoa como um morador e não apenas um hóspede, garantindo respeito à sua história e autonomia”, afirma.
A proposta da instituição é oferecer um ambiente que preserve a dignidade e a identidade de cada idoso ou idosa residente, com um objetivo principal: proporcionar qualidade de vida. “A prioridade é viver melhor. Nosso foco está na qualidade de vida, assegurando que o tempo de vida seja preenchido com bem-estar e dignidade, superando o foco exclusivo na longevidade cronológica”, afirma.
Conceito que, no Residencial, segundo a proprietária, é colocado em prática diariamente por meio de uma rotina planejada, que combina assistência à saúde, atividades recreativas e momentos de convivência. “Trabalhamos por meio de um planejamento operacional rigoroso, que equilibra cuidados técnicos e de saúde com atividades de lazer e socialização”, explica. Trabalho de acolhimento que carrega também desafios constantes. “Desafios de adaptação contínua às necessidades de saúde de cada morador e a gestão da rede de apoio emocional, sempre em conformidade com normas regulatórias”, complementa.
Mudanças no perfil
Ao longo dos últimos anos, a instituição, segundo Rosane, também observa mudanças importantes no perfil das pessoas idosas acolhidas. Segundo ela, os moradores chegam cada vez mais conscientes de seus direitos e mais interessados em preservar a independência. “Notamos idosos cada vez mais conscientes de seus direitos e mais ativos na busca pela manutenção de sua independência”, conta.
Essa busca pela autonomia passa, necessariamente, por um trabalho minucioso de estimulação cognitiva e manutenção dos vínculos sociais, como o desenvolvimento de atividades voltadas para estimular a memória, a atenção e a interação entre os moradores. “A estimulação é essencial para retardar declínios e manter o morador engajado e conectado com o mundo ao seu redor”, destaca a proprietária. Ações e atividades que, segundo Rosane, são pensadas de forma individualizada. “Desenvolvemos uma rotina que integra atividades de estimulação e socialização, sempre respeitando a singularidade e a história de cada morador.”

