Há mulheres que esperam o momento certo. Outras constroem o próprio tempo. Em Rio Preto, histórias de protagonismo feminino se entrelaçam com o desenvolvimento econômico, cultural e social da cidade. Empresárias, líderes e realizadoras, Adriana Cássia Neves, Ana Carolina Verdi, Creusa Manzalli e Lais Accorsi têm trajetórias diferentes, mas compartilham algo essencial: a disposição de agir.
Em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje, dia 8 de março, elas falam sobre protagonismo, desafios, liderança e sobre o que é ser mulher em 2026, mantendo uma característica em comum: nenhuma delas construiu sua história pautada pelo medo.
Protagonismo que acontece
À frente da Conebel, Adriana Cássia Neves iniciou sua trajetória profissional aos 13 anos. O protagonismo, segundo ela, nunca foi um objetivo planejado. “Eu nunca percebi que eu precisava assumir o protagonismo. Desde muito nova, eu comecei na empresa aos 13 anos, eu fui fazendo o melhor que eu podia fazer, seja em qualquer tarefa que eu estivesse envolvida. Então, nunca o protagonismo foi um fim. Ele foi acontecendo muito sem perceber.”
Em um setor tradicionalmente masculino, o de distribuição de bebidas, Adriana afirma que durante muitos anos sequer percebeu qualquer diferença por ser mulher. “Nem o fato de eu ser mulher num ambiente tão masculino como o nosso, que é de descrição de bebidas. Eu percebia que poderia haver algum tipo de diferença. Só muitos anos depois, aliás, até bem pouco tempo, que eu percebi.”
Os desafios, segundo ela, foram os mesmos enfrentados por qualquer empresário: crises econômicas, questões políticas, conflitos societários e familiares. Não associa suas dificuldades ao gênero. “Eu passei por muitos desafios, mas nenhum que eu tenha identificado pelo fato de eu ser mulher.”
Hoje, ela acredita que a liderança contemporânea valoriza competências que muitas mulheres desenvolvem de forma natural. “Ser mulher facilita, ajuda a liderança, porque nós conseguimos usar algumas características naturais que as mulheres têm, como por exemplo o cuidado genuíno com as pessoas, um olhar mais humanizado. Hoje essa liderança precisa ser humanizada e realmente a mulher tem isso de forma mais natural. Saímos na frente com isso.”
Ao revisitar sua trajetória, reconhece a importância da base familiar. “Meu pai e minha mãe, eles me deram mais do que liberdade, eles me deram condição de acreditar que era possível. E por isso que passei tantos anos sem sequer perceber que isso pudesse ser alguma coisa diferente ou relevante, sabe? Isso é muito legal, né? O que os pais podem fazer pelos filhos.”
“Ser mulher é ser forte, é ser guerreira, é ser batalhadora, e ao mesmo tempo é ser feminina, ser mulher, ser esposa, e tudo o que a gente quiser. Ser mulher é tudo o que uma mulher se propõe a fazer, luta e consegue fazer. E muitas vezes essa luta é até, no meu caso, que comecei a trabalhar muito cedo, e é voltar para o feminino, é olhar o amor, a família, a casa, e ver que isso é tão relevante, tão importante, e que a gente precisa dar tempo para a gente e para a família. Talvez o meu caminho tenha sido um caminho um pouco diferente. Eu acho que dei mais relevância para este lado feminino, mais velha. Sendo muito prazeroso também descobrir que a gente pode ser o que a gente quer e o que a gente se propõe a ser.”
Adriana Cássia Neves



