Bandeirinhas coloridas, dança de quadrilhas, fogueira acesa e uma mesa repleta de receitas tradicionais fazem parte de uma das celebrações mais aguardadas do calendário brasileiro. Marcadas pela cultura, pelas memórias afetivas e pelo convívio entre familiares e amigos, as festas juninas têm na gastronomia um de seus principais atrativos. Canjica, pamonha, bolo de milho, arroz-doce, paçoca, pé de moleque, curau, quentão e vinho quente ajudam a dar ao período um forte apelo emocional e familiar.
Mas, para muitas pessoas, aproveitar as festas juninas sem culpa nem sempre é fácil. Além das tentações gastronômicas, entram em cena a sensação de descontrole e a pressão social. Segundo a médica nutróloga Mariana Wogel, o impacto desse período vai muito além do excesso alimentar. “O problema não está apenas na comida típica. O que pesa para muita gente é o conjunto da experiência: a quebra da rotina, o apelo emocional, a pressão social para comer, a sensação de que é preciso aproveitar tudo e, depois, a culpa por ter exagerado”.
Esse contexto costuma ser especialmente delicado para quem já vive em conflito com a balança. “Muitas pessoas chegam às festas juninas já tentando se controlar, já com medo de exagerar. Quando entram em contato com um ambiente de fartura, memórias afetivas e estímulo constante à comida, acabam oscilando entre contenção excessiva e perda de controle”, afirma Mariana.
A médica destaca que esse processo não deve ser interpretado como simples falta de disciplina. “Quem enfrenta dificuldade com o peso não lida apenas com uma questão de força de vontade. Existem fatores metabólicos, hormonais, emocionais e comportamentais envolvidos. Em períodos festivos, tudo isso tende a ficar mais sensível”.
Entre o prazer e os excessos
O consumo exagerado de alimentos ricos em açúcar, gordura e calorias costuma preocupar especialistas. Para a endocrinologista Lorena Lima Amato, o segredo para aproveitar as comemorações sem culpa está no equilíbrio. “Não se trata de proibir os alimentos típicos, mas de aprender a fazer escolhas mais conscientes, respeitar a saciedade e evitar o consumo automático”, destaca.
Segundo a médica, um dos erros mais comuns é chegar aos eventos com muita fome e querer experimentar tudo ao mesmo tempo. A orientação é fazer escolhas mais estratégicas, montar pratos menores e evitar repetir por impulso. Outro ponto de atenção são as bebidas alcoólicas e açucaradas, como quentão e vinho quente, que podem concentrar muitas calorias em pequenas porções.
Na infância, o cuidado também merece atenção. “Além de limitar o acesso aos doces, os pais podem estimular a criança a aproveitar a festa com variedade e moderação, sem transformar o evento em um exagero de doces”, orienta.
A quebra da rotina também contribui para o descontrole alimentar. Horários irregulares, mais eventos sociais, noites mal dormidas e maior consumo de preparações calóricas formam uma combinação que dificulta a autorregulação, especialmente em pessoas com tendência à fome emocional, impulsividade alimentar ou histórico de dietas restritivas.
