Avistamentos de luzes incomuns no céu, relatos de contatos próximos e histórias que atravessam décadas fazem parte do imaginário e da rotina de pesquisa de ufólogos no interior paulista. Em Rio Preto e cidades vizinhas, a ufologia deixou de ser um tema restrito à curiosidade popular e passou a se estruturar como objeto de estudo sistemático, reunindo pesquisadores, professores, profissionais da saúde e interessados em compreender fenômenos ainda sem explicação definitiva.
Criado em 2020, o Grupo de Estudos e Pesquisas Ufológicas Rio Preto (GEPURP) surgiu da iniciativa do pesquisador de fenômenos anômalos Wagner Macedo, que atua na área desde 1999. O grupo nasceu com o objetivo de pesquisar, educar e criar uma comunidade local para discutir a ufologia de forma séria, ética e organizada, com foco especial nos avistamentos registrados na região noroeste do Estado de São Paulo.
“A motivação principal foi a necessidade de criar uma comunidade local para discutir e analisar fenômenos ufológicos com responsabilidade, algo inspirado na minha experiência em grupos do Rio de Janeiro”, explica Macedo, que é professor e escritor autor de dois livros sobre o tema.
Inicialmente formado por meio de plataformas como Facebook e WhatsApp, o GEPURP reúne atualmente 245 membros ativos na região e alcança mais de 260 mil seguidores nas redes sociais, consolidando-se, segundo o grupo, como o maior coletivo de ufologia do Brasil em número de membros e uma das maiores páginas de estudos ufológicos do mundo.
Casos históricos e relatos marcantes
Entre as investigações conduzidas pelo grupo estão ocorrências consideradas históricas no interior paulista. Um dos relatos mais antigos data de 1973, quando uma moradora de Rio Preto, Geni Lisboa, teria presenciado um disco voador de cerca de quatro metros de diâmetro pairando próximo à sua residência. Segundo o relato, três seres humanoides teriam descido do objeto e escaneado a área com feixes de luz. Após o episódio, a testemunha apresentou dores intensas, manchas na pele, inchaços e piora na visão e audição, além de alterações na vegetação ao redor da casa. Há ainda registros de uma cura considerada inexplicável de problemas de saúde posteriores ao incidente.
Outro caso de grande repercussão ocorreu entre 1979 e 1989, em Mirassol, envolvendo Antônio Carlos Ferreira, que relatou ao menos 16 episódios de contato, incluindo abduções, exames físicos e experiências que, segundo os pesquisadores, apresentam paralelos com casos internacionais amplamente estudados.
Em 1995, um agricultor de Ipiguá, Dirceu Guimarães, afirmou ter presenciado o pouso de um objeto luminoso de aproximadamente 12 metros de diâmetro em sua propriedade rural. O fenômeno teria provocado vento intenso, quebra de galhos, iluminação de milhares de árvores e forte cheiro de ozônio. Um ano depois, os filhos da testemunha relataram novo avistamento semelhante sobre a residência.
Mais recentemente, o grupo catalogou episódios como o avistamento de um objeto triangular luminoso em Barretos, em 2013, e uma série de contatos relatados a partir de 2020 em Cedral, envolvendo luzes em movimento irregular, múltiplos objetos simultâneos e experiências descritas como projeções, nas quais a testemunha afirma não haver abdução física, mas vivências perceptivas intensas.
Em 2021, uma família que trafegava pela vicinal que liga Schmitt a Cedral relatou ter sido seguida por uma esfera luminosa alaranjada, que teria passado por cima do veículo. Além desses, o GEPURP tem registrado dezenas de relatos entre 2020 e 2026, principalmente em áreas rurais, onde a menor poluição luminosa facilita a observação do céu. “Temos outros relatos, mas a maior parte não permite a divulgação de seus nomes”, afirma Wagner Macedo.

