Localizada no distrito de Engenheiro Schmitt, a Associação e Oficina de Caridade Santa Rita de Cássia, o Lar de Schmidt, é hoje uma das quatro instituições filantrópicas que oferecem acolhimento gratuito a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social em Rio Preto. Com capacidade para acolher até 84 idosos e idosas em regime de longa permanência, com idades entre 62 e 97 anos, o Lar oferece não apenas abrigo, mas também oportunidades de reconstruir histórias marcadas por abandono, maus-tratos e outras vulnerabilidades.
A instituição recebe idosos e idosas encaminhados pelas unidades do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ligado à Secretaria da Assistência Social do Município. Parte das pessoas idosas acolhidas chega à instituição após denúncias de negligência, violência ou abandono. Idosos que encontram no Lar acolhimento, atendimento e ambiente que promove ressocialização, autonomia, convivência e qualidade de vida.
O Lar conta com espaços de convivência para oficinas, filmes, shows, musicoterapia, atividades físicas, atividades recreativas, terapia ocupacional e lazer, além de outros espaços de cuidados como o salão de beleza. Ao longo dos corredores e espaços comuns, há painéis de fotos de todos e todas acolhidas. A proposta, segundo a psicóloga da instituição, Marília do Amaral Novaes, é desenvolver o senso de identidade e pertencimento, “para que eles se sintam em casa”, afirma.
A árvore da vida com o nome de cada uma delas conta o ciclo da vida, pelo qual nascemos, crescemos, brotamos e perdemos as folhas. “É a finitude da vida, tudo é feito de fases”, explica Marília. Segundo a psicóloga que acompanha os idosos e idosas, muitos chegam à instituição com sensação de fracasso. “A gente tenta estimular o pensamento de que é uma nova fase para uma nova vida”.
Idosos e idosas que estão não só sob a responsabilidade e o cuidado de uma equipe multidisciplinar e direção do Lar, como também da família. “A família é corresponsável, chamamos para visitas, para determinadas responsabilidades e tentamos ao máximo minimizar o sentimento de abandono trazendo a família junto com a gente”, destaca a psicóloga.
Com uma estrutura dividida em alas femininas e masculinas e de acordo com o grau de dependência de cada pessoa acolhida, o Lar de Schmidt conta com quartos individuais e coletivos, lavanderia, refeitórios e uma horta para alimentos frescos e preparados dentro das dietas balanceadas por nutricionista durante as seis refeições diárias. Idosos e idosas que também possuem serviços de enfermagem 24 horas, acompanhamento geriátrico, cuidado e higiene.
Perfil
A presidente da Associação e Oficina de Caridade Santa Rita de Cássia, o Lar de Schmidt, Rita Oczkowski, conta que a maior parte de pessoas idosas acolhidas no Lar possui comorbidades, o que limita a mobilidade e exige mais atenção. “Em torno de 50 acolhidos e acolhidas possuem comorbidades, são cadeirantes e precisam de dispositivos (ajuda) para locomoção”, relata.
No Lar de Schmidt também estão idosos e idosas acolhidos em situações de grave vulnerabilidade social. “Vulnerabilidades financeiras, cognitivas, com deficiência, alguns que vieram de internações em UPAs (unidade de pronto atendimento) e outros que estavam em situação de abandono e foram acolhidos”.
História
Fundado em 1986, o Lar de Schmidt oferece moradia digna, cuidados e acolhimento humanizado com trabalho de técnicos de enfermagem, cuidadores, assistente social, psicóloga, fisioterapeuta e outros profissionais de apoio. Desde então, muitas pessoas idosas e histórias passaram pelo Lar e marcaram a vida de quem acolheu de perto.
A presidente da instituição, Rita Oczkowski, conta que entre tantas histórias de vida algumas foram marcantes. “Temos dois idosos que chegaram cegos no Lar, voltaram a enxergar e são completamente autônomos. Temos uma (acolhida) paraguaia que ficava na rua, trouxemos para cá, muitos anos depois, vieram visitar e desde então estão presentes. Temos outro acolhido que voltou para Portugal e como este temos casos que voltam para a família”, afirma Rita.
Apesar dos preconceitos sobre a institucionalização, o lar é também onde a pessoa idosa volta a aprender a ter um convívio social saudável. “Embora tenham muito a ensinar, eles também têm muito a aprender sobre convivência em família”, ressalta a presidente. Para isso, a pessoa idosa quando acolhida passa por uma avaliação individual. “Para sentir que está em casa e ter saúde física e mental”.


