A conquista de uma vaga em uma universidade pública de destaque no País costuma ser resultado de uma combinação intensa de esforço, planejamento e persistência. Em Rio Preto, histórias de jovens aprovados em cursos altamente concorridos mostram que, apesar da pressão e da longa jornada de estudos, a preparação pode ser construída com estratégia, equilíbrio e autoconhecimento. Muitos se destacaram em vestibulares recentes e hoje servem de inspiração para outros estudantes da região.
Aprovado em primeiro lugar em dois cursos extremamente concorridos, Medicina, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Piano, na Universidade de São Paulo (USP), Paulo Arnaldo Colturato Duarte viveu uma rotina intensa de estudos, marcada pela música como prioridade.
“Eu dedicava quase que todo o meu tempo ao piano, uma vez que o estudo do instrumento exige muito estudo e muita prática, sendo a minha prioridade. O restante do tempo tinha que ser dividido entre as disciplinas da escola e a teoria musical, o que era um desafio. Eu buscava sempre otimizar o meu tempo e focar exatamente nos assuntos com os quais eu tinha maior dificuldade no momento, então nunca tive uma divisão extremamente estrita, apenas buscava equilibrar o estudo entre as áreas do conhecimento.”
Segundo o estudante, aproveitar bem o tempo em sala de aula foi uma estratégia decisiva para conseguir conciliar as exigências do ensino médio com a preparação musical. “Acredito que o mais importante foi aproveitar ao máximo as aulas que eu tinha no Colégio Agostiniano São José, realizando tudo que era proposto, para não precisar estudar tanto as disciplinas escolares em casa, ganhando tempo para me dedicar ao piano. Penso também que é uma construção de longo prazo, feita ao longo de toda a formação, seja no ensino médio ou no ensino fundamental. Além disso, acredito que o estudo da música, com o qual tive contato desde meus 3 anos de idade, certamente aprimora habilidades cognitivas, como o raciocínio e a memorização”.
Mesmo diante da pressão comum aos vestibulares mais disputados, Duarte afirma que a desistência nunca foi uma opção. A experiência prévia com apresentações públicas ajudou a lidar com a ansiedade. “Não pensei em desistir. Tinha um objetivo muito bem definido e não havia outra opção se não fazer o que era necessário. Mas não é fácil lidar com a ansiedade, acredito que a prática e a repetição são fundamentais nesse processo, seja fazendo simulados ou, no caso do piano, executando as obras em público. Além disso, já ter lidado diversas vezes com a pressão do palco, em concursos e recitais, certamente me ajudou a encarar a pressão das provas”.
Apesar da aprovação em medicina, uma das graduações mais concorridas do País, a escolha final foi seguir a música. Para Duarte, a decisão foi natural e alinhada à própria vocação. “Na realidade, nunca tive muito interesse no curso de medicina. O que aconteceu foi que, como nenhuma das universidades nas quais eu me interessava pelo curso de música aceitavam a nota do Enem como forma de ingresso nesse curso, eu não poderia utilizá-la para esse fim. Porém, como tive um resultado excelente na prova, pensei em testar se a nota seria suficiente para ingressar no curso mais concorrido de uma das melhores universidades públicas do estado de São Paulo. E, assim, fui surpreendido com a primeira colocação na Ufscar. Portanto, não houve dúvida na minha decisão: acredito que minha vocação é mesmo o piano”.
Ao olhar para trás, Duarte deixa um conselho direto para quem sonha com a universidade pública. “Eu diria que é necessário ter muita dedicação aos estudos, é claro, mas também muita paciência e atenção à saúde mental. É um processo longo, exaustivo, muitas vezes injusto e desanimador. Mas acredito que, se uma universidade ou um curso é nosso sonho, devemos nos preparar e enfrentar esse desafio”.
Organização e constância
Aluna do Start Anglo, Isabelle D. de Araújo também se destacou ao conquistar aprovações em Enfermagem, na Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), e em Farmácia, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), ainda na 2ª Série ensino médio.
Segundo ela, a base do sucesso foi fazer o essencial com atenção e regularidade. “A minha rotina de estudos durante a preparação para os vestibulares foi intensa, mas eu procurei fazer o básico muito bem feito. Eu prestava toda a minha atenção nas aulas, estando realmente presente e tirando minhas dúvidas. Quando chegava em casa, realizava o famoso ‘aula dada, aula estudada’, consolidando a teoria dada em aula e fazendo exercícios de fixação e, por último, corrigia todos os meus erros de maneira ativa, procurando entender o porquê de ter errado e o que poderia fazer para não cometer aquele erro novamente.”
Para Isabelle, o maior desafio foi administrar o tempo diante de tantas demandas do dia a dia. “Meu maior desafio durante esse processo com certeza foi o tempo. Quando você estuda em uma escola integral, estuda de maneira individual à noite, passa tempo com a família, amigos e namorado e ainda tem que separar tempo para atividades físicas e uma boa noite de sono, o tempo se torna um desafio enorme, mas com organização e disposição, tudo se torna possível”.
A estudante destaca que o aspecto emocional também precisa ser levado em conta durante a preparação. “Pode até parecer clichê, mas confiar em si mesmo e no seu potencial, se apaixonar pelo processo (o que só é possível se você for gentil consigo mesmo e com seus limites), se comparar apenas com você mesmo e ter consistência é o essencial para passar por essa fase com um pouco mais de leveza e confiança.” O próximo objetivo de Isabelle já está definido. “A minha faculdade dos sonhos que pretendo alcançar nesse 3° ano do ensino médio é Farmácia na USP, no campus de Ribeirão Preto”.


