Francisco dos Santos – o “Cascatinha” – e Ana Eufrosina da Silva – a “Inhana” – nasceram no interior de São Paulo. Ele, em Araraquara, no dia 20 de abril de 1919, e ela, em Araras, no dia 28 de março de 1923. Por volta de 1937, Cascatinha trabalhava como músico no Circo Nova Iorque, onde atuava como baterista e cantor, formando uma dupla com Natalício Fermino dos Santos, conhecido como “Chopp”.
Em 1941, durante as viagens com o circo, Cascatinha conheceu Ana em Araras. Ela, que já se destacava como cantora realizando apresentações na cidade, uniu-se à dupla, formando o Trio Esmeralda. Meses depois, no mesmo ano, casaram-se.
O Trio Esmeralda viajou para o Rio de Janeiro, obtendo relativo sucesso e recebendo prêmios em programas como os de César Ladeira na Rádio Mayrink Veiga, Manuel Barcelos e Papel Carbono, este último de Renato Murce, ambos na Rádio Nacional.
No ano seguinte, após um desentendimento, o trio se desfez e, com a saída de Chopp, surgiu a dupla Cascatinha e Inhana, nome artístico adotado por Ana, uma variação de Sinhá Ana.
A partir de então, a dupla realizou diversas apresentações pelo Rio de Janeiro e em São Paulo, passando por circos renomados como o Estrela D’Alva e o Imperial. Em 1947, assinaram contrato com a Rádio Clube de Bauru, e no ano seguinte, ingressaram na Rádio América, o que os levou a se mudar para São Paulo. Em 1950, foram contratados pela Rádio Record, onde permaneceram por doze anos, consolidando seu sucesso no cenário artístico.
A dupla iniciou a gravação de músicas que se tornariam eternas, como "La Paloma" em 1951 e, no ano seguinte, “Meu Primeiro Amor” e “Índia”, que venderiam milhões de cópias ao longo dos anos. Cascatinha e Inhana percorreram o Brasil se apresentando em circos, teatros e rádios, lançaram mais de 30 discos e receberam diversos prêmios, incluindo dois troféus Roquette Pinto, o maior do rádio.
A parceria chegou ao fim com o falecimento de Inhana em 11 de junho de 1981, aos 58 anos, vítima de um infarto. Sua morte frustrou os planos de comemoração dos 40 anos da dupla, que incluíam um show no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, intitulado A Grande Noite da Viola, programado para o dia 20 de junho e que reuniria grandes nomes da música caipira, como Tonico e Tinoco e Milionário e José Rico. Cascatinha chegou a participar do evento, cantando a música "Índia" para homenagear Inhana.
Após a perda, ele lançou um álbum solo intitulado Canto com Saudade, em 1982. Anos depois, já na década de 1990 e morando em São José do Rio Preto, Cascatinha casou-se novamente, desta vez com Helena Lopes da Silva. Em seus momentos finais, ele solicitou à sua companheira que doasse todos os objetos da dupla à Prefeitura Municipal para a cidade. Ele morreu em 14 de março de 1996, prestes a completar 77 anos, em decorrência de uma cirrose hepática.
O acervo da dupla foi inicialmente exposto na Casa de Cultura Dinorath do Valle, até inaugurar a Sala Cascatinha e Inhana, no complexo de museus do Centro Cultural Prof. Daud Jorge Simão.
O casal teve um filho adotivo, Marcelo José do Santos, que faleceu em 2021, durante a pandemia, vítima de Covid-19.
Serviço:
Sala Cascatinha e Inhana está localizada no complexo de museus do Centro Cultural Prof. Daud Jorge Simão, no prédio onde também funciona a Biblioteca Municipal, situado na avenida Philadelpho Gouveia Neto, nº 1, no 2º andar, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Para visitas individuais que não necessitam de mediação, não é necessário agendar.
Para visitas mediadas e em grupo (escolas, projetos turísticos, entre outros), é necessário agendamento prévio, pelo e-mail museumunicipal@riopreto.sp.gov.br ou pelo telefone 17 3202-2313.