O aumento da longevidade de cães e gatos é uma boa notícia, mas também traz novos desafios para a saúde dos pets. Entre eles, o câncer se destaca como uma das doenças que mais preocupam tutores e profissionais da área veterinária. Cada vez mais frequente na rotina das clínicas, a enfermidade pode afetar animais de todas as idades, embora seja mais comum em pets idosos, e exige atenção redobrada aos sinais, além de acompanhamento regular.
O câncer em animais é caracterizado pelo crescimento desordenado de células, que passam a se multiplicar de forma inadequada e podem formar tumores benignos ou malignos. Essas alterações podem surgir em praticamente qualquer parte do organismo e, em alguns casos, se espalhar para outros órgãos, processo conhecido como metástase.
De acordo com a médica veterinária Juliana Gabarron, especialista em oncologia pet, a doença não deve ser encarada como um único diagnóstico. “O câncer não é uma condição única, mas um conjunto de doenças com comportamentos diferentes. Por isso, cada paciente precisa ser avaliado de forma individualizada, considerando o tipo de tumor, o estágio da doença e a saúde geral do animal”, explica.
Entre os tipos mais comuns estão os tumores de pele, os tumores mamários e as neoplasias do sangue. Nos casos de câncer de mama, bastante frequente em cadelas e gatas, fatores hormonais têm papel importante, o que torna a castração uma das principais estratégias de prevenção. Já outros tipos de câncer podem estar associados a fatores genéticos, ambientais e ao próprio processo de envelhecimento, além da exposição prolongada ao sol, alimentação inadequada e contato com agentes tóxicos.
As causas do câncer em pets são consideradas multifatoriais. Fatores externos, como exposição prolongada ao sol, contato com agentes tóxicos, hábitos de vida (semelhantes aos dos responsáveis) e alimentação inadequada, podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Já os fatores internos envolvem o envelhecimento natural do organismo, alterações hormonais, falhas no sistema imunológico e predisposição genética. Algumas raças parecem apresentar maior incidência de determinados tipos de tumores. “A genética pode aumentar a suscetibilidade, mas nenhum animal está totalmente livre do risco”, afirma a veterinária Letícia Abrahão Anai, especialista em oncologia pet.
Identificar o câncer em pets nem sempre é simples. Os sintomas costumam ser inespecíficos e, muitas vezes, semelhantes aos de outras doenças, o que pode atrasar o diagnóstico. Mudanças de comportamento, perda de peso sem causa aparente, falta de apetite, vômitos, diarreia, tosse persistente, dificuldade para urinar ou defecar e o surgimento de nódulos ou feridas que não cicatrizam estão entre os principais sinais de alerta. “Muitos tutores só percebem que algo não vai bem quando a doença já está em estágio avançado. Por isso, consultas periódicas e exames de rotina são fundamentais para detectar alterações ainda no início”, reforça Juliana.
A prevenção passa, principalmente, pela adoção de hábitos saudáveis no dia a dia do animal. Além da castração, os especialistas orientam evitar o uso de anticoncepcionais veterinários, manter a vacinação em dia, oferecer uma alimentação equilibrada e adequada à idade do pet e protegê-lo da exposição excessiva ao sol. Segundo Juliana, o acompanhamento contínuo faz toda a diferença. “O check-up regular permite identificar alterações silenciosas e aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento”, destaca.
Ao menor sinal de suspeita, a recomendação é procurar um médico-veterinário, se possível, um especialista em oncologia. O diagnóstico pode envolver exames clínicos, análises de sangue e urina, exames de imagem, como ultrassonografia, radiografias e tomografia, além da coleta de amostras de células (citologia) ou tecidos (histopatológico) para análise laboratorial. “A partir dessas informações, o profissional especializado em oncologia veterinária consegue definir o tipo de tumor, avaliar se houve disseminação da doença e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. Podendo envolver cirurgia, quimioterapia, eletroquimioterapia e tratamento com anticorpos monoclonais”, explica Letícia.
