Séruns, ácidos, máscaras, hidratantes e produtos anti-idade aparecem cada vez mais cedo nas rotinas compartilhadas nas redes sociais. O fenômeno levanta uma questão: crianças realmente precisam de skincare?
Estudo publicado em 2025 na revista Pediatrics analisou 100 vídeos de skincare no TikTok produzidos por criadores de 7 a 18 anos. As rotinas tinham, em média, seis produtos e alcançavam 1,1 milhão de visualizações. Apenas 26,2% incluíam protetor solar e, entre os 25 vídeos mais vistos, foram encontrados, em média, 11 ingredientes ativos potencialmente irritantes.
Para a médica pós-graduada em dermatologia Camila Mazza, o interesse por skincare não é necessariamente negativo, mas exige atenção quando produtos destinados à pele adulta entram na rotina infantil. "Cuidar da pele pode ser um hábito positivo desde cedo, mas a criança não precisa reproduzir o skincare de um adulto. O objetivo nessa idade é preservar uma pele saudável e protegida, com uma rotina simples e adequada à faixa etária. Quando acrescentamos muitos ativos sem necessidade, aumentamos o risco de irritação, sensibilização e dermatites".
A dermatologista explica que o contato com skincare pode estimular hábitos de autocuidado, mas precisa ser mediado pelos responsáveis. "Quando a criança pede um produto porque viu nas redes sociais, o primeiro passo é entender para que ele serve e se faz sentido para aquela idade. Nem todo cosmético que está em alta precisa fazer parte da rotina; o mais adequado é manter apenas os cuidados básicos".
O mesmo vale para maquiagens, esmaltes e outros cosméticos. Segundo a médica, o uso frequente pode favorecer reações de contato. O ideal é que sejam usados pontualmente, com acompanhamento dos responsáveis.
Confira 5 cuidados com a pele infantil para uma rotina mais segura
1. Adapte os cuidados à idade
Até os 6 anos, a rotina deve ser simples, com higienização suave e proteção solar infantil. Entre 6 e 12 anos, podem entrar hidratação neutra e limpeza adequada.
2. Evite fragrâncias e esfoliantes
Produtos com fragrâncias sintéticas, esfoliantes e outros ativos mais agressivos não são indicados para crianças pequenas, cuja pele é mais sensível.
3. Observe mudanças na pele durante a puberdade
Com o aumento da oleosidade e o aparecimento de acne, a rotina pode precisar de ajustes. Nessa fase, produtos específicos devem ser escolhidos conforme a necessidade da pele, sempre com orientação médica.
4. Proteção solar continua sendo prioridade
Mesmo quando a criança demonstra interesse por séruns, máscaras ou outros cosméticos, a fotoproteção continua sendo um dos principais cuidados. O filtro solar deve ser adequado à faixa etária.
5. Reações não devem ser normalizadas
Ardência, coceira, vermelhidão, descamação ou piora da pele após o uso de um produto não devem ser encaradas como uma adaptação natural. Nesses casos, o uso deve ser interrompido e a criança avaliada por um médico.
Ensinar o autocuidado desde cedo é muito importante, mas também é preciso mostrar que cada fase da vida tem necessidades diferentes. "Para a criança, uma rotina simples, adequada à idade e baseada naquilo que a pele realmente precisa é o caminho mais seguro", finaliza Camila.
