Quantos segundos você leva para se levantar cinco vezes de uma cadeira? Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University College London, indica que essa tarefa simples pode prever a perda de funcionalidade em idosos antes mesmo que surjam dificuldades em atividades cotidianas, como tomar banho, se vestir ou sair de casa.
A pesquisa acompanhou mais de 2,3 mil participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA) ao longo de oito anos. Os cientistas compararam a bateria de testes conhecida como Short Physical Performance Battery (SPPB), que avalia equilíbrio, velocidade de caminhada e força, com o Teste Sentar e Levantar (Chair Stand Test – CST), um dos componentes da própria SPPB.
A análise, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), mostrou que idosos que levaram mais de 11,5 segundos para completar o CST apresentaram maior risco de perder a independência em tarefas básicas e instrumentais da vida diária. Segundo a pesquisadora Roberta de Oliveira Máximo, autora do estudo publicado no Journal of the American Medical Directors Association, o teste simples foi tão eficaz quanto a bateria completa para prever incapacidade futura.
Com base nos resultados, os pesquisadores sugerem tornar os critérios de avaliação mais rigorosos, reduzindo o tempo de corte do CST de 15 para 11,5 segundos. A mudança amplia a sensibilidade da triagem e permite intervenções precoces para evitar a perda de independência.
Embora pareça apenas um teste de desempenho, o CST avalia força e massa muscular dos membros inferiores, equilíbrio, coordenação e condicionamento cardiorrespiratório. De acordo com Tiago da Silva Alexandre, professor da UFSCar, essas capacidades tendem a falhar antes da instalação de limitações mais graves.
Os especialistas explicam que o declínio funcional costuma seguir uma sequência: primeiro são afetadas atividades avançadas (trabalho, lazer), depois as instrumentais (cozinhar, administrar dinheiro, usar transporte) e, por fim, as básicas (banho, alimentação, locomoção dentro de casa). Identificar sinais precoces pode interromper esse processo.
Aplicado a partir dos 60 anos, o teste sentar e levantar pode funcionar como ferramenta prática de triagem, especialmente em consultas rápidas. Ao indicar risco aumentado, possibilita encaminhamento para exercícios, fisioterapia e mudanças no estilo de vida, contribuindo para manter a autonomia na velhice.
