Com uma trajetória construída ao longo de décadas dedicadas ao Direito, à educação e ao serviço público, Eudes Quintino de Oliveira Júnior é uma das referências jurídicas de São José do Rio Preto e região. Natural de Araraquara, o advogado e promotor de Justiça aposentado pelo Estado de São Paulo consolidou uma carreira marcada pela atuação em diferentes frentes, sempre guiado pelo compromisso com a Justiça e pela defesa dos interesses da sociedade.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Bauru, Eudes Quintino reúne uma sólida formação acadêmica, com especializações em Direito Processual Penal e Direito Processual Civil pela PUC-SP, mestrado em Direito do Estado pela Universidade de Franca, doutorado e pós-doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). Ao longo de sua trajetória, também exerceu a docência em cursos de graduação e pós-graduação, foi reitor do então Centro Universitário do Norte Paulista (Unorp), integrou a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e mantém intensa produção intelectual como articulista jurídico.
Atualmente, além de atuar como advogado e sócio-fundador da Eudes Quintino Sociedade de Advogados, ocupa o cargo de chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec), acompanha de perto as transformações do Direito, da sociedade e das relações humanas, temas que também permeiam suas reflexões sobre bioética, tecnologia e cidadania.
Casado há 48 anos com Vera Lúcia Bellentani de Oliveira, é pai de Gabriela e Pedro e avô de Vicente e Vitório. Para ele, a família representa um dos pilares mais importantes de sua trajetória, servindo de equilíbrio diante das exigências da vida profissional.
Eudes Quintino fala sobre os aprendizados acumulados no Ministério Público e na advocacia, a importância da sensibilidade na aplicação da Justiça, os impactos da inteligência artificial no Direito, os desafios impostos pelas mudanças sociais e tecnológicas e as lições que considera essenciais para as novas gerações. Entre reflexões sobre carreira, família e futuro, ele reforça uma convicção que o acompanha desde o início da vida profissional: a Justiça só cumpre plenamente sua missão quando mantém o olhar voltado para o ser humano.
Leia a entrevista a seguir:
BE – Ao longo de décadas atuando no Ministério Público e, posteriormente, na advocacia, houve algum caso ou situação que mudou sua forma de enxergar a Justiça e o ser humano?
Eudes Quintino – O próprio amadurecimento profissional se encarrega de fazer a moldagem e encontrar um justo meio entre eles, que não são antagônicos e sim se complementam. Ambos buscam a humanização da Justiça.
BE – A carreira jurídica costuma exigir firmeza nas decisões. Em que momentos o senhor percebeu que a sensibilidade era tão importante quanto o conhecimento técnico?
Eudes Quintino – A sensibilidade, se fosse mercadoria, com certeza seria a commodity mais rentável do mercado. É o terreno fértil para não se perder os parâmetros da realidade humana. Deveria ser transformada em políticas públicas.
BE – Muitas pessoas associam a figura do promotor a alguém que combate crimes. O que o senhor acredita que a população ainda não compreende sobre o verdadeiro papel de um promotor de Justiça?
Eudes Quintino – O Ministério Público exerce papel fundamental na defesa dos direitos da sociedade e na promoção da Justiça, em diversas áreas. Dentre elas, com relevo, o papel de protagonista em questões sociais relevantes como a saúde, educação, meio ambiente, segurança e outras mais, assim como busca garantir a execução de políticas públicas, de forma justa e eficiente. Pode-se dizer que se apresenta como um pilar da própria evolução da sociedade.
BE – Depois de uma carreira consolidada no Ministério Público, o senhor optou por continuar atuando como advogado. O que o motivou a permanecer na atividade profissional em vez de buscar uma aposentadoria mais tranquila?
Eudes Quintino – O Direito sempre foi minha meta. Com a aposentadoria no Ministério Público abracei a advocacia por considerá-la uma missão igualmente nobre e que, dentre muitos predicados, possibilita o aperfeiçoamento na entrega da Justiça. Também quero destacar que exerci a docência como professor de Direito Processual Penal e o cargo de reitor da Unorp, hoje Unorte. E me honra muito pertencer à Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec), ocupando a Cadeira de nº 26.
BE – Ao olhar para o jovem Eudes que iniciava a carreira jurídica, quais convicções permanecem as mesmas e quais foram transformadas pela experiência?
Eudes Quintino – As convicções de servir à Justiça continuam as mesmas. As diferenças ocorrem em razão da mutação social e do dinamismo da Justiça. A experiência, por sua vez, faz ver que a IA se tornou uma acólita indispensável ao Direito.
BE – Vivemos uma época marcada pela velocidade da informação e dos julgamentos nas redes sociais. O senhor acredita que a sociedade se tornou mais justa ou mais apressada para condenar?
Eudes Quintino – A informação é de vital importância e representa um plus diferenciador para o crescimento do homem. O que deve ser evitado é terceirizar a inteligência humana em favor da artificial e fazer considerações apressadas.
BE – Em sua trajetória, quais foram os maiores desafios para conciliar a intensa dedicação profissional com a vida familiar e os interesses pessoais?
Eudes Quintino – A vida familiar é importante e não pode ser colocada em segundo plano. Reconheço a dedicação total da minha esposa, nas minhas ausências em razão de compromissos, principalmente quando os filhos dependiam de cuidados mais apurados em razão da idade.
BE – O senhor é reconhecido por artigos e reflexões sobre temas jurídicos e bioéticos. Existe algum assunto que ainda considera pouco debatido pela sociedade, mas que terá grande impacto nas próximas gerações?
Eudes Quintino – Vários. Viver é um quebra-cabeça e, para tanto, tem que procurar os encaixes certos. A tecnologia já está modificando o mercado de trabalho, diminuindo as oportunidades de emprego, além de colocar a pessoa em uma bolha em situação de solidão epidêmica. Pode-se dizer que o homem está hibridizado com a máquina. Também as mudanças climáticas, já anunciadas pelo Papa Francisco em sua Encíclica Laudato SI, trarão consequências devastadoras com a perda da biodiversidade.
BE – Quando o expediente termina e o advogado, professor e ex-promotor dão lugar ao Eudes cidadão, o que lhe traz satisfação e equilíbrio na vida?
Eudes Quintino – A sensação de ter impactado positivamente na construção de uma sociedade melhor e mais justa, ajudando a moldar novos caminhos. A apresentação de um arranjo diferenciado sempre traz esperança.
