Hoje eu quero convidar vocês para uma reflexão que tem tirado o sono de muita gente boa no mercado, desde o pequeno empreendedor até o grande diretor de multinacional: afinal, ainda é possível falar de marketing sem falar de tecnologia?
Se você quer a resposta curta, direta e sem rodeios: não. Seria a mesma coisa que tentar fazer um bolo sem farinha ou falar de comunicação nos dias de hoje sem mencionar um smartphone. A verdade nua e crua é que essas duas áreas não apenas deram as mãos; elas se fundiram de um jeito que já não dá mais para separar quem é quem.
E se você, talvez um pouco apegado aos velhos tempos, está se perguntando "mas até quando vamos conseguir separar as coisas?", eu te dou um spoiler. O prazo de validade dessa separação já venceu. O marketing tradicional, aquele baseado apenas no "eu acho" e no feeling puro do publicitário, foi engolido pela revolução digital. E, honestamente, que bom que isso aconteceu!
Mas como, exatamente, o marketing e a tecnologia se relacionam na prática? Pense na tecnologia como a estrada mais moderna e veloz que existe, e no marketing como o carro que leva a sua mensagem até o cliente. Sem a estrada — que hoje atende por nomes como redes sociais, automação, inteligência artificial e e-commerce —, o carro simplesmente não sai da garagem. A tecnologia escalou a nossa capacidade de contar boas histórias, de criar experiências imersivas e, principalmente, de ouvir o que o consumidor realmente deseja.
Aqui entramos no ponto central dessa história toda: a evolução do nosso comportamento. O marketing só precisou se tornar tão tecnológico porque nós, seres humanos, mudamos radicalmente. Pense na sua própria rotina. Segundo os dados da pesquisa TIC Domicílios, principal termômetro da conectividade no Brasil, mais de 84% dos brasileiros usam a internet, sendo o celular o dispositivo rei. Nós acordamos rolando o feed e dormimos assistindo a vídeos. Buscamos avaliações na internet antes de qualquer compra, exigimos atendimento imediato no WhatsApp e queremos conveniência com um toque na tela. O marketing precisou se digitalizar para continuar existindo no único lugar que importa hoje: onde a atenção das pessoas está.
E, no meio desse furacão de mudanças, qual é o verdadeiro papel dos dados? Eles são o grande "pulo do gato", a bússola dourada. Se a tecnologia é a estrada e o marketing é o carro, os dados são o GPS. No passado, lançávamos uma campanha na televisão, cruzávamos os dedos e rezávamos para o telefone tocar. Era um tiro de canhão. Hoje, gigantes globais de consultoria, como a McKinsey, apontam que empresas orientadas por dados têm 23 vezes mais chances de adquirir novos clientes e 6 vezes mais chances de retê-los do que aquelas que ignoram essas informações.
Os dados nos permitem entender o que o cliente quer, muitas vezes antes mesmo de ele ter clareza disso. Eles mostram de onde o visitante veio, quanto tempo ficou na sua vitrine virtual e em qual etapa ele desistiu da compra. Acabou o "achismo" cego. Hoje, captamos os rastros digitais que deixamos pelo caminho e os transformamos em soluções precisas. É o fim da panfletagem aleatória e o início de uma conversa personalizada, quase no ouvido de cada consumidor, só que feita em escala global.
No fim das contas, a tecnologia não surgiu para substituir a criatividade humana ou apagar a essência do marketing. Ela veio para dar superpoderes a quem sabe usá-la. O marketing continua e sempre continuará sendo sobre pessoas, emoções, medos e desejos. A diferença é que, agora, temos as ferramentas perfeitas para abraçar e atender essas pessoas do jeito que elas esperam e merecem.
