No fotojornalismo, uma “foto roubada” é aquela feita sem autorização prévia ou proibida, geralmente para garantir o registro de um momento. Foi assim que aprendi, ao lado de fotógrafos experientes, a fotografar primeiro de forma “escondida” para garantir a foto e conversar depois, sempre atento aos limites éticos e ao uso responsável da imagem.
A fotografia foi realizada em julho de 1988, nas ruínas dos antigos barracões da baixada do rio Preto, que hoje é aquele grande terreno vazio em frente à represa municipal. Após processos de desapropriação e interrupção das demolições pela Prefeitura de Rio Preto, o local foi invadido, dividido com lonas em módulos e locado para famílias carentes, mesmo em condições precárias.
A imagem, que mostra uma criança, foi feita na cozinha coletiva do espaço. Utilizei uma câmera previamente regulada e camuflada sob a jaqueta, captando a cena discretamente, às cegas. Em razão da insegurança do local, fui ao amanhecer e levei cestas básicas. Depois do registro inicial, obtive autorização do líder da comunidade para realizar outras fotografias. Ainda assim, a imagem mais expressiva foi justamente aquela captada de forma “roubada”.
