Foi em uma manhã de domingo, em fevereiro de 2004, que fiz este registro fotográfico. Era um ano de expectativas, um ano de Copa América de Futebol. O Brasil seria campeão?
Ao passar pelo local e deparar-me com a cena que doeu em minha alma, surgiu a dúvida: paro o carro ou não para registrar essa dor tão estranha? Dominado pelo instinto de fotojornalista, parei e fotografei.
Eram três crianças sob o efeito de drogas, deitadas no chão frio da entrada de uma antiga escola de computação, em uma movimentada avenida de Rio Preto. Na camisa encardida de uma delas, lia-se a palavra Brasil. No reflexo do vidro da porta, uma motocicleta passava rapidamente, como passam, em um instante, as imagens de uma partida de futebol.
De um lado, a tensão e a torcida para que o Brasil conquistasse a Copa América. De outro, a esperança de que aquelas crianças vencessem o vício.
Um sonho?
Fevereiro de 2004. Mês e ano em que parei o carro e fiz a fotografia que doeu na alma.
