Em uma das vezes em que estive no sertão baiano, fotografando a festa do Bom Jesus da Lapa, às margens do “Velho Chico”, achei interessante variar a pauta: pegar um barco e subir o rio para conhecer melhor o caminho percorrido pelo escritor e jornalista Euclides da Cunha ao escrever “Os Sertões”.
O barqueiro contratado sugeriu que eu conhecesse o pobre e longínquo povoado da “Barra da Empoeira”. Sugestão dada, sugestão aceita. Após navegarmos uma légua e meia, chegamos ao lugar, onde havia apenas uma igrejinha, um cruzeiro e meia dúzia de casas.
Água para beber havia somente em tambores de 200 litros, trazidos uma vez por semana em uma carroça do seu “Zé das Águas”, puxada por um jeguinho. Água boa, por lá, é ouro. Apesar da imensidão de água e peixes do “Velho Chico”, água boa de poço não brota e, quando brota, é salobra. Daí a necessidade de pagar um preço considerável por água trazida de longe.
Foi no momento em que fotografei o seu “Zé das Águas” que me veio à mente a célebre frase do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
E como é forte!
