No mundo digital, tudo ficou mais fácil e prático. A “máquina” faz quase tudo. E a inteligência artificial, então? Na fotografia criativa e artística, não é bem assim: a tecnologia digital ajuda muito, mas não faz milagres. O fotógrafo não pode se deixar levar pela magia da tecnologia a ponto de se tornar refém dela.
Sou da era analógica, quando era preciso estudar e pesquisar bastante para conseguir uma boa imagem. Com a tecnologia digital, tudo se tornou muito mais rápido e prático. No início, para mim, foi uma surpresa, um verdadeiro “bicho de sete cabeças”: muitos LEDs e uma linguagem desconhecida. Eu tinha receio de explorar ferramentas que não dominava. Com o tempo, fui me acostumando, li bastante e associei os recursos digitais às técnicas analógicas. Percebi, então, que o “bicho não era tão bravo assim”.
Um exemplo é esta imagem de uma casa na cidade de Goiás, captada em 2008 com uma câmera digital Canon PowerShot. Nessa viagem, propus a mim mesmo um desafio: levar o equipamento analógico como principal e utilizar a câmera digital para explorar, na prática, seus recursos. Obtive resultados surpreendentes. Capturei imagens no modo “P” (programa inteligente) e a mesma imagem no modo “M” (manual).
No modo “P”, a luminária ficou pálida e a casa, azul-escura, resultando em uma fotografia indefinida, nem noturna nem diurna. No modo “M”, calibrei a cor para um valor semelhante à de um filme de luz solar (5.500 K) e ajustei a intensidade luminosa para destacar a luminária, tudo manualmente, à moda antiga. A intenção foi registrar o vidro com o reflexo da luminária o mais fiel possível; o restante foi secundário. Assim, cheguei ao resultado desejado.
Portanto, seja com câmera fotográfica ou com celular, explore e familiarize-se com as ferramentas disponíveis. Você poderá se surpreender. Uma dica: anote as configurações utilizadas para não se perder entre tantas opções. Experimente e verá o quanto suas imagens podem evoluir.
