“Hamlet” é uma das obras mais famosas de Shakespeare. A tragédia narra a história de um príncipe da Dinamarca e tem data imprecisa. Foi composta entre 1599 e 1601 e teria sido inspirada na lenda escandinava de Amleto, recolhida por Saxão Gramático no século XIII.
A morte de Hamnet, filho de Shakespeare, em 1596, aos 11 anos, é frequentemente citada como motivação emocional para a escrita da peça, muito embora não haja consenso sobre uma conexão direta, visto que o dramaturgo não teria se pronunciado a respeito.
“Hamlet” é um daqueles personagens que ultrapassam a história da qual fazem parte. Sua frase “Ser ou não ser, eis a questão” é amplamente repetida em contextos os mais variados. O fato é que seus tormentos o colocam como um divisor de águas na literatura ocidental ao marcar o mergulho na subjetividade moderna.
A história se passa no Castelo de Elsinore. O rei da Dinamarca morreu há menos de dois meses. Seu irmão Cláudio se casa com a rainha Gertrudes e assume o trono. Hamlet, profundamente perturbado com a situação, fica sabendo que o fantasma de seu pai foi visto vagando pelo Castelo.
À noite, ele o espera e o espectro lhe revela ter sido assassinado por Cláudio que colocara veneno em seu ouvido enquanto ele dormia. Hamlet entra em um estado de profunda melancolia e dúvida existencial. Ele não age de imediato. Aliás, ele é um personagem paralisado pela dúvida.
Elaborará, então, planos que permitam sondar as reações do rei a título de comprovar a hipótese lançada pelo espectro. Isso inclui fingir loucura, contratar um grupo teatral que encene o fato narrado pelo fantasma, confrontar a mãe.
A grandiosidade e a importância da tragédia não podem ser resumidas em algumas frases. Ressaltamos, porém, que Hamlet é tido como aquele que antecipa o ceticismo moderno. Veja que ele não apenas não confia no que está ao seu redor, como desconfia dos próprios sentidos.
A vida interior e subjetiva de Hamlet, tão ou mais vasta do que a exterior, o coloca como um personagem que se vale de máscaras e estratagemas. Ter consciência em um mundo corrupto e dominado por máscaras e interesses torna o seu “ser ou não ser” a grande dúvida sobre a dor de suportar os males da vida.
A tragédia de Hamlet, que inspirou Freud a desenvolver aspectos decisivos de sua psicanálise, personifica o ceticismo que definiria a filosofia que lhe é imediatamente posterior. As “Meditações” de René Descartes e o “Tratado da Natureza Humana” de David Hume surgiriam décadas mais tarde.
“Hamlet”, que tem sido comentado em virtude do filme “Hamnet”, é uma das grandes obras da literatura universal. Um clássico que sempre tem a nos dizer, o que o torna atemporal, uma leitura obrigatória para quem aprecia o grande teatro ocidental. Disponível em Domínio Público!
