A selenocisteína é um análogo da cisteína. Em vez de um átomo de enxofre na cisteína, a selenocisteína contém selênio. Ela é a principal forma biológica em que o selênio é utilizado pelo organismo. O selênio está presente na forma de selenocisteína em 25 selenoproteínas. A selenocisteína, reconhecida como o 21º aminoácido, foi encontrada em 25 selenoproteínas e selenoenzimas humanas importantes para processos celulares fundamentais, desde a manutenção da homeostase do selênio até a regulação da taxa metabólica global.
Diversas proteínas e enzimas humanas são selenoproteínas. A selenocisteína é o único aminoácido que contém um micronutriente dietético essencial (selênio) como componente constitutivo. O selênio é um oligoelemento essencial na dieta, com importantes funções biológicas, como propriedades anticancerígenas.
O envelhecimento é um processo biológico complexo e universal, caracterizado pelo declínio progressivo e irreversível das funções fisiológicas em múltiplos sistemas orgânicos, e a selenocisteína é uma das enzimas que participam de oxidação-redução (combate aos radicais livres). Atualmente são catalogadas doze características como marcas fundamentais do envelhecimento: instabilidade genômica, encurtamento dos telômeros, alterações na regulação epigenética, comprometimento da homeostase proteica, macroautofagia defeituosa, interrupções nas vias de detecção de nutrientes, disfunção mitocondrial, senescência celular, depleção das reservas de células-tronco, comunicação alterada entre células, inflamação persistente de baixo grau e desequilíbrio da microbiota intestinal.
Entre as principais defesas celulares contra o estresse oxidativo em doenças neurodegenerativas e envelhecimento estão os aminoácidos sulfurados cisteína e selenocisteína. Estas moléculas desempenham papéis fundamentais na neutralização de espécies reativas de oxigênio e na manutenção da homeostase.
A selenocisteína exerce diversos papéis na promoção da saúde, contribui para uma série de processos fisiológicos, como: ação anti-inflamatória e antioxidante, prevenção do envelhecimento, modulação das respostas inflamatórias e metabolismo da tireoide, possui atividade neuroprotetora, cardioprotetora e imunomoduladora (anticancerígena), atua na manutenção da fertilidade masculina.
O selênio é retido no cérebro mesmo em condições de deficiência de selênio na dieta, o que implica a importância para a prevenção de doenças neurodegenerativas (demências, Alzheimer, Parkinson, acidente vascular cerebral).
A deficiência de selênio e mutações em selenoproteínas e selenoenzimas têm sido associadas a vários distúrbios do sistema endócrino, nervoso, muscular, esquelético, cardiovascular e imunológico, como: declínio cognitivo, convulsões e epilepsia, insuficiência cardíaca, hipotensão arterial, disfunção tireoidiana, atraso do desenvolvimento fetal, distrofia muscular, fraqueza e dor muscular, baixa imunidade e diversos tipos de câncer: mama, pulmão, estômago, bexiga, ovário, pâncreas, tireoide, esôfago, cérebro, melanoma.
As principais fontes de selênio são: carne, peixes, frutos do mar, ovos, leite e derivados, arroz integral, feijão, chá, alho, castanha do Pará e de caju, nozes, sementes de girassol, cogumelos, cebolas, leveduras e fungos.
