A leucina é um aminoácido essencial crucial para a síntese de proteínas, o metabolismo energético, a regeneração tecidual e desempenha um papel único no organismo ao atuar como molécula sinalizadora no controle do apetite e na regulação hormonal. Ela é um dos três aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina) e o único aminoácido que não pode ser metabolizado em glicose. A leucina desempenha um papel importante na secreção de insulina e na manutenção dos níveis normais de glicose sérica durante o jejum. Ela é frequentemente utilizada com a valina e a isoleucina em formulações parenterais para suporte nutricional, visando manter o equilíbrio nitrogenado e tratar cirrose e encefalopatia hepática.
Os aminoácidos de cadeia ramificada são responsáveis pela construção e reparação muscular e são os únicos aminoácidos que não são degradados no fígado, sofrendo oxidação nos músculos, no tecido adiposo, nos rins e no cérebro. Após a ingestão, ocorre aumento de sua concentração no plasma sanguíneo, no tecido muscular e no tecido adiposo. A leucina pode ser decomposta em acetil-CoA, tornando-se um dos aminoácidos cetogênicos mais importantes do corpo. A leucina é precursora do hormônio do crescimento e ajuda na integridade e função da bainha de mielina.
A leucina estimula a produção e a liberação de leptina pelas células adiposas. A leucina tem a capacidade de melhorar a sensibilidade à leptina, o metabolismo de lipídios e glicose, a tolerância ao exercício, a resistência adquirida ao hormônio do crescimento, as disfunções musculares relacionadas a doenças e a anemia. A leptina promove aumento do estado de saciedade (redução da ingestão de alimentos) e contribui para o controle do peso (aumenta a queima de gordura).
A leucina potencializa o efeito da insulina na estimulação da síntese proteica dos músculos, o que permite a manutenção da massa muscular mesmo durante períodos de perda de peso (desde que haja consumo suficiente de proteínas).
A leucina tem uma ação importante na síntese proteica, na reparação e manutenção da massa muscular e na melhora do desempenho na atividade física, proporcionando menor perda de massa muscular, rápida recuperação muscular e redução de cãibras e dores musculares. As pessoas perdem massa muscular em um estado de balanço nitrogenado negativo (quando a degradação muscular é maior que a construção muscular). A degradação muscular e a redução da densidade óssea são comuns durante períodos prolongados de inatividade ou imobilização muscular. O enfraquecimento do sistema musculoesquelético e o aumento da massa gorda, causados pelo aumento da resistência à insulina, são alterações corporais decorrentes do envelhecimento e do sedentarismo.
O consumo de leucina pode ser útil para prevenir ou tratar a perda de massa muscular em casos de sarcopenia (deterioração gradual da massa muscular). A leucina auxilia na recuperação de pacientes graves e politraumatizados, em casos de encefalopatias, doença de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e no pós-operatório de grandes cirurgias, em períodos de estresse e na cicatrização da pele, músculos e ossos, além de auxiliar em casos de obesidade e diabetes.
As fontes alimentares ricas em proteínas que contêm leucina são: carnes, peixes, laticínios, ovos, feijões, lentilhas, ervilhas, spirulina, aveia, gérmen de trigo, soja, sementes de abóbora e gergelim, amendoim, nozes, amêndoas, castanha de caju, milho, arroz integral, repolho, berinjela, tomate e quiabo.
Eduardo Silva
Neurocirurgião do Centro do Cérebro e Coluna
Professor de Neurocirurgia da Famerp
Autor do livro: Sementes de Autoconsciência
Criador/Facilitador do Simpósio: Cérebro em Alta Performance
@cerebroemaltaperformance
