Janeiro Branco é uma campanha brasileira de conscientização sobre saúde mental, realizada anualmente no mês de janeiro. O objetivo central é mobilizar a sociedade sobre a importância da saúde mental, promover discussões públicas, combater o estigma e incentivar políticas de prevenção e cuidado nesta área. Embora não seja uma política governamental formal, o movimento conta com ampla adesão de profissionais de saúde e instituições públicas e privadas. Utiliza estratégias de comunicação social para ampliar o alcance das mensagens, como ações educativas, palestras e divulgação em mídias sociais.
Em outros países, existem campanhas semelhantes ao janeiro branco. A campanha “Act-Belong-Commit” na Austrália, considerada a primeira campanha populacional abrangente de promoção da saúde mental, apresenta resultados positivos em relação às atitudes e ao conhecimento sobre essa temática. No Reino Unido, iniciativas como “Time to Change” e “Every Mind Matters” têm focado na redução do estigma e na melhoria da literacia em saúde mental, com evidências de impacto positivo entre as pessoas expostas a essas campanhas.
Estatísticas globais sobre saúde mental indicam que 1 bilhão de pessoas no mundo sofre de transtornos mentais, e 3 milhões morrem anualmente devido ao uso excessivo de álcool. Embora os dados sobre saúde mental no Brasil sejam falhos, estatísticas não oficiais sugerem que o país está entre aqueles com mais casos de ansiedade. Cerca de 18,6 milhões de brasileiros, ou seja, 9,3% da população, têm transtornos de ansiedade, e 5,8% sofrem de depressão. A depressão é considerada o mal do século, pois afeta as emoções e a autoestima. Outros problemas notáveis incluem a Síndrome do Pânico, que causa crises de medo inesperadas e ansiedade excessiva, além da Síndrome de Burnout, resultante do estresse no trabalho.
É crucial não esquecer os profissionais da saúde, que também enfrentam esses problemas. Eles são frequentemente vítimas de estresse e pressão no trabalho, o que pode afetar significativamente sua saúde mental e sua capacidade profissional. Um dado internacional preocupante revela que a taxa de suicídio entre médicos é 44% maior do que na população geral, com as médicas atingindo taxas de aproximadamente 90% e estão entre as mais afetadas.
No contexto brasileiro, a rede de atenção psicossocial (RAPS) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são pilares do cuidado comunitário em saúde mental, e campanhas como o janeiro branco ajudam a fortalecer a integração entre serviços, profissionais e usuários. Portanto, o janeiro branco representa uma estratégia relevante de promoção da saúde mental e combate ao estigma, alinhada às necessidades e desafios do sistema de saúde brasileiro.
Campanhas digitais, como “What's up with everyone?” do Reino Unido e diversas iniciativas em redes sociais realizadas em países de alta renda, devem ser estimuladas, pois têm mostrado eficácia no aumento do conhecimento, melhoria das atitudes e estímulo à busca de ajuda, especialmente entre jovens e profissionais em áreas de estresse intenso.
Portanto, as campanhas de conscientização sobre saúde mental devem ser uma estratégia global adaptada às realidades locais. Elas demonstram resultados positivos em diversos contextos, conforme evidenciado pela literatura científica internacional.
A saúde mental é um patrimônio coletivo que precisa ser cuidado e valorizado. Ao nos unirmos em torno de campanhas como o janeiro branco, estamos não apenas enfrentando o estigma, mas também abrindo portas para um futuro em que a saúde mental é prioridade. Um futuro em que todos se sintam seguros para buscar ajuda e acolhidos em sua fragilidade. Vamos juntos construir essa realidade!
MILTON ARTUR RUIZ
Médico, coordenador da Unidade de TMO e Terapia Celular do Hospital Infante Dom Henrique da Associação Portuguesa de Beneficência de Rio Preto, Ex-professor de Hematologia/Hemoterapia da USP @dr.miltonruiz
