A glicina, do grego “glykos” (doce), tem seu nome devido ao sabor doce. A glicina é um aminoácido que ajuda a construir proteínas necessárias para a manutenção dos tecidos e hormônios, atua como transmissor no sistema nervoso e ajuda na locomoção e percepção sensorial, tem ação anti-inflamatória, é benéfica no tratamento da septicemia, doenças cardiovasculares e no transplante de órgãos.
A glicina é o principal neurotransmissor inibitório da medula espinhal e do tronco encefálico. Ela é sintetizada pelo organismo a partir da serina, colina, treonina e hidroxiprolina. Ela é abundante no plasma e representa 11,5% do total de aminoácidos e 20% do nitrogênio das proteínas corporais. A glicina atua como precursora da creatina, glutationa, hemoglobinas, purinas e porfirinas. A maioria das proteínas possui pequenas quantidades de glicina; o colágeno é uma exceção, com cerca de um terço de glicina na sua estrutura.
A glicina é um dos três aminoácidos que o corpo usa para produzir glutationa, um poderoso antioxidante que ajuda a proteger as células contra os danos oxidativos causados pelos radicais livres.
Como principal aminoácido do colágeno, a glicina contribui para fornecer resistência aos músculos, pele, cartilagens, sangue, ossos e ligamentos, alívio para as dores articulares e prevenir a perda óssea. Ela é importante para a saúde da pele (elasticidade e firmeza) e para a prevenção do envelhecimento precoce.
A glicina atua na síntese de proteínas musculares, facilita a reparação e recupe-ração muscular após exercícios ou lesões.
A glicina é um aminoácido que atua como neurotransmissor e modula a atividade neuronal, e sua principal atividade é relacionada à inibição de diferentes regiões do cérebro. Ela participa da neurotransmissão excitatória, que é fundamental para a neuroplasticidade (aprendizado, memória e cognição); condição imprescindível para a prevenção de doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e alguns transtornos mentais). A glicina demonstra efeitos neuroprotetores em neurônios e micróglia após lesão por acidente vascular cerebral isquêmico.
Ela ajuda na melhora da qualidade do sono, ao auxiliar na diminuição da temperatura corporal central, reduz a fadiga no dia seguinte e promove descanso reparador, e mesmo com menos horas de sono, atenua a sonolência diurna.
Os efeitos antioxidantes da glicina agem como um potente cardioprotetor (menor risco de infarto do miocárdio). Ela melhora a função dos vasos sanguíneos, reduz o estresse oxidativo e diminui a inflamação.
A glicina melhora o metabolismo ao atuar como um aminoácido bioativo essencial. Ela otimiza a queima de gordura, estimula a produção de energia nas células e regula a sensibilidade à insulina, auxiliando diretamente no combate à obesidade e diabetes tipo 2, e regula citocinas pró-inflamatórias, auxiliando na desintoxicação (inclusive por álcool) e na redução da gordura no fígado. Ela protege o intestino por controlar e reduzir as respostas inflamatórias na parede intestinal.
A deficiência de glicina pode comprometer o sistema imunológico, o desenvolvimento e o crescimento das crianças.
As fontes de glicina são: carnes, peixes e frutos do mar, ovos, leite e derivados, feijões, ervilhas, lentilhas, cevada, aveia, quinoa, cogumelos, sementes de abóbora, gergelim, girassol, castanhas-do-pará e de caju, soja, amendoim, espinafre.
