Atenta ao que impacta você, a Revista Bem-Estar apresenta a série especial “Na Trilha da Longevidade”, com artigos sobre curso, planejamento e qualidade de vida, publicados esporadicamente.
Começar do início. Colocar as cartas na mesa. Me parecem escolhas prudentes para alinhar expectativas, especialmente se o que se quer (e quero muito!) está mais para uma maratona do que para uma corrida de tiro de 50 metros. Acho justo que você conheça meus motivos e minhas intenções.
Estava na adolescência quando lembro de ter ouvido minha mãe dizer que tinha 36 anos e chegar ao veredito: ela é uma pessoa velha e, quando eu chegar lá, também o serei.
Não que tenha me dado conta, mas foi por volta dessa idade que constatei que não dava mais para andar às avessas com o exercício físico. Tinha informação suficiente para entender que a menopausa chega como sinal do tempo na vida de toda mulher e que uma reserva de músculos ajuda muito a enfrentar a transição tão cheia de percalços.
Outra consciência de idade me sacudiu ao acompanhar o adoecimento da minha avó materna, cuja demência foi cuidada com amor até o fim. Fui atravessada pelas questões de amigos com seus familiares em condição de Alzheimer evoluindo, com espantos, desafios e dores.
Cada um de nós tem sua percepção do envelhecimento, mas não é ignorável que, à nossa volta, por toda parte, temos mais e mais pessoas idosas. No limite, desde o nascimento, não paramos de envelhecer até que nossa experiência terrestre se complete. Anda bem, “chegar lá” é um prêmio.
Recentemente tive a honra de conversar com o médico sanitarista Antonio Caldeira, que trouxe notícias urgentes. O mundo está envelhecendo rápido, o Brasil está envelhecendo mais rápido e o Noroeste Paulista, mais rápido ainda.
Cerca de 20% da nossa população tem 60 anos de idade ou mais. Temos mais idosos que jovens. Até 2030, 1 em cada 4 pessoas será idosa. Uma mudança drástica na pirâmide demográfica, com implicações em todos os aspectos da vida privada e social.
Enquanto países desenvolvidos como a França levaram cem anos para viver a mudança, com tempo de desenvolvimento, preparo e enriquecimento, nós, no hemisfério sul, faremos a transição em apenas 20 anos, com nossas colossais questões de bem-viver para a população brasileira.
Sabendo que nossa expectativa de vida passou de 45 anos na década de 40 para 76 em 2023 - graças a progressos que vão de vacinas ao aumento da escolaridade e da renda -, precisamos agora garantir condições para que a vida e sua vitalidade permaneçam conosco o máximo possível.
Se chegar à velhice é uma conquista, desfrutá-la requer preparo - e quanto antes, melhor, ainda que sempre seja tempo.
A gente se prepara quando entende e acredita nos fatos. Acreditar que não somos mais jovens e trabalhar por uma boa velhice.
Meu convite é para que juntos, aqui, pensemos sobre curso de vida e envelhecimento ativo: NA TRILHA DA LONGEVIDADE, iniciativa que batiza nossa coluna. Aceita?
