Símbolo de tradição milenar e ingrediente essencial da dieta mediterrânea, o azeite de oliva ganhou novos contornos no Brasil. Se antes o mercado era dominado por rótulos importados, hoje produtores nacionais investem em controle rigoroso de qualidade, rastreabilidade e experiências sensoriais para conquistar o consumidor, do campo ao envase, passando por propostas autorais que transformam o produto em presente e elemento de identidade gastronômica.
A trajetória da marca Jissenia Azeites Finos Aromatizados, idealizada por Jissenia Marchett Benez Astolphi, é um exemplo desse movimento. A empresária conta que a inspiração surgiu fora do País. “A marca nasceu após um despertar pessoal durante uma viagem com meu marido à Espanha. Percorremos mercados locais, realizamos degustações e conheci mais profundamente a cultura do azeite extravirgem na costa espanhola.”
Esse contato ampliou seu olhar sobre o azeite como alimento nobre, carregado de história e identidade. “Ao retornar ao Brasil, comecei a estudar e desenvolver aromatizações naturais, dando origem à Jissenia Azeites. O propósito é oferecer uma experiência sensorial sofisticada, respeitando sempre a qualidade do azeite e dos ingredientes.”
Com produção artesanal, a marca aposta em ingredientes naturais e na valorização da experiência gastronômica. “A marca é artesanal, sensorial e elegante. Trabalhamos com ingredientes naturais, sem conservantes, respeitando a sazonalidade e priorizando a alimentação saudável. Os valores que norteiam a produção são qualidade, transparência, cuidado em cada etapa e valorização da experiência gastronômica.”
Jissenia participa pessoalmente de todo o processo. “Participo diretamente de todas as etapas – da escolha dos insumos ao envase e finalização manual. Os azeites são elaborados a partir de azeite extravirgem de qualidade, combinado a ingredientes naturais cuidadosamente selecionados. As receitas são desenvolvidas com equilíbrio, para que os aromas complementem o azeite sem mascarar suas características. Os diferenciais estão na produção artesanal, no uso de ingredientes naturais, na identidade visual sofisticada e na possibilidade de personalização.”
A excelência começa no campo
Se na ponta final o consumidor encontra aromas e identidade visual sofisticada, na origem a palavra-chave é frescor. Para Rafael Marchetti, mestre de lagar e diretor da Prosperato, a qualidade nasce na oliveira. “O azeite começa no campo. A qualidade nasce na oliveira e se preserva ao longo de todo o processo. A colheita precisa ser feita no ponto ideal de maturação, com as azeitonas íntegras e saudáveis, e o transporte deve ser rápido para evitar fermentações.”
Ele detalha as etapas. “No lagar, as etapas para extração do azeite são apenas mecânicas: primeiro a lavagem das azeitonas, depois a moagem, que transforma a azeitona em pasta. Essa pasta passa pela batedora, onde as gotículas de azeite se unem, e então segue para a centrifugação, que separa o azeite da água e dos sólidos. Por fim, o azeite é filtrado, armazenado em tanques inertes, protegendo-o do oxigênio, luz e calor, e depois envasado conforme a demanda.”
Entender o rótulo faz diferença
Para o consumidor, compreender as categorias é essencial. Marchetti explica as diferenças entre extravirgem, virgem e refinado, ressaltando que o extravirgem não pode apresentar defeitos sensoriais e deve preservar atributos como frutado, amargo e picante, relacionados à presença de polifenóis, antioxidantes naturais do azeite.
Sobre a escolha no ponto de venda, ele orienta. “Buscar sempre por azeites com data de colheita mais próxima, que será indicado pelo ano da safra. Não necessariamente um azeite que foi envasado há pouco tempo quer dizer que ele está mais bem conservado, principalmente quando essa informação não está acompanhada da indicação de safra. A indicação das variedades e origem também são excelentes para confirmar a rastreabilidade do produto.”
Marchetti faz um alerta comum entre especialistas. “Além disso, não se deve avaliar a qualidade de um azeite apenas pelo nível de acidez presente no rótulo, até porque essa é uma informação vaga que diria respeito a diferentes lotes, não pode existir um número padrão para milhares de garrafas envasadas de uma mesma marca.”
O mais importante, segundo Marchetti, é que o consumidor busque referências de azeites frescos e de produtores conhecidos. “Provar azeites de diferentes variedades e pontos de maturação é o que constrói nosso paladar para reconhecer um bom produto. Seja um azeite extra virgem mais verde ou mais maduro, o importante sempre é que não apresente nenhum defeito sensorial, se adaptando assim melhor a cada tipo de preparo na cozinha sem interferir no sabor do alimento.”
A Prosperato, que completa 13 anos em 2026 e atua em toda a cadeia produtiva, do cultivo ao varejo próprio, com olivais no Rio Grande do Sul. A marca também recebe visitantes para degustações em Caçapava do Sul. Interessados podem adquirir os produtos pelo www.emporioprosperato.com.br, na loja física junto ao lagar em Caçapava do Sul/RS (BR-290, Km 327) e em lojas especializadas, empórios e mercados espalhados pelo país. Informações: (51) 99860-0752.


