Há obras que simplesmente ocupam um espaço. Outras parecem nascer dele. No foyer do Centro Cultural Sesi Rio Preto, madeira, ferro, luz e vazios se unem para formar um corpo que lembra, ao mesmo tempo, uma embarcação, a ossatura de uma baleia e uma arquitetura em movimento. Em "Tapicuru", instalação inédita do artista plástico Maurício Adinolfi, a travessia deixa de ser apenas física para conduzir o visitante por uma reflexão sobre memória, território e natureza.
Criada exclusivamente para o Centro Cultural Sesi Rio Preto, "Tapicuru" nasceu de uma pesquisa sobre a cidade. Foi nesse processo que Adinolfi encontrou a ave que dá nome à instalação.
Natural de Santos, o artista conta que já conhecia o tapicuru por observá-lo no litoral paulista. Durante a pesquisa para a obra, descobriu que a espécie passou a ser vista com mais frequência em outras regiões durante a pandemia, fenômeno que associa à redução da circulação de pessoas nas cidades. A coincidência acabou aproximando dois universos que marcam sua trajetória: o mar e os rios do interior.
"Eu sou um artista que tem relação direta com o mar, sou natural de Santos e tenho como pesquisa as embarcações e as questões ambientais que envolvem a Mata Atlântica e o litoral do Brasil. Então foi a chave de ligação que me trouxe a adentrar mais no trabalho e na pesquisa sobre a cidade de São José do Rio Preto", afirma.
Essa relação não é casual. Há mais de duas décadas, Adinolfi desenvolve pesquisas ao lado de carpinteiros navais e investiga técnicas tradicionais de construção de embarcações de madeira. Em "Tapicuru", esse repertório aparece na estrutura formada por quilha, cavernas e proa, que também evoca a ossatura de uma baleia.
Mais do que reproduzir um barco, o artista procura discutir a memória dessas construções e a maneira como elas ajudam a contar a história do País.
A própria montagem da obra reforça esse encontro entre arte e ofício. Quem percorre a instalação encontra ainda referências aos rios Preto, Tietê e Grande, além do Aquífero Guarani. As madeiras reutilizadas, certificadas e provenientes de antigas construções carregam marcas do tempo e ampliam a ideia de travessia.
Ao final do percurso, fica a reflexão que orienta toda a pesquisa de Adinolfi. "A reflexão é de que nós somos a própria natureza. É impossível pensar sobre meio ambiente com separação."
A mostra "Tapicuru" está no Centro Cultural Sesi Rio Preto, na avenida Duque de Caxias, 4656, e fica aberta para visitação de quarta-feira a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos e feriados, das 10h às 19h. A entrada é gratuita.
62º Festival do Folclore de Olímpia
Data: até 9 de agosto
Local: Recinto do Folclore Professor José Sant’anna
Ingressos: entrada gratuita
Stand up “Lado a Lado”, com Thiago Ventura
Data: 7 de agosto, às 19h e 21h30
Local: Teatro Paulo Moura
Ingressos: a partir de R$ 50 pelo site Ingresso Digital
Orquestra Som Brasil – Vem Pro Baile!
Data: 7 de agosto, às 16h
Local: Comedoria do Sesc
Ingressos: entrada gratuita
Exposição "10 Anos do NEC da Acirp"
Data: 31 de agosto
Local: Espaço Cultural do Shopping Iguatemi Rio Preto
Ingressos: entrada gratuita
